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Antes de mais, obrigado por ter aceite o convite para esta entrevista. E eu agradeço desde já o convite! Desde de “Resistirei” que não o vemos na TV, isto deve-se ao fracasso da novela ou a uma opção própria? Não considero que Resistirei tivesse sido um fracasso. A novela não vingou por questões alheias à qualidade e ao interesse da mesma. Assim sendo julgo que em nada o meu trabalho ficou comprometido. Quanto ao facto de não ter feito novela depois disso, não foi por opção, simplesmente não surgiram mais propostas nesse sentido. Há mais actores no mercado e é bom fazer umas pausas pelo caminho, mesmo que sejam forçadas, sempre podemos aprender e abraçar outros projectos noutras áreas e aproveitar para nos reinventarmos. Mas nesse período de tempo fiz participações em televisão: Conta-me como Foi e Liberdade 21.
Nesta novela da SIC, interpretou ‘Pedro’, um homossexual. Que balanço faz desta personagem? Balanço positivo. Julgo que foi até à data o trabalho mais intenso e de maior entrega que fiz em televisão. Na vida, rimos, choramos, somos cómicos e dramáticos, mas em televisão as personagens tendem a assumir predominantemente um traço emocional e de carácter, mas o meu personagem tinha um leque emocional amplo. Foi um desafio para mim torná-lo coerente. Sou muito crítico com o meu trabalho, mas em Resistirei fiz cenas que ainda agora, ao rever, as acho bem feitas emocionalmente e tecnicamente.
O ‘Pedro’ foi renegado pelo pai. Se tivesse um filho que se revelasse homossexual, como reagia? Julgo que reagia da mesma forma independentemente da opção sexual que o meu filho tivesse. Provavelmente teria tendência para ser mais protector, pois infelizmente a discriminação existe.
Depois de ser “mandada” para as madrugadas, acabou por não ver o seu final ir para o ar na SIC generalista. Para si que tinha um papel relevante na história? Foi frustrante? Sim e não. Obviamente que gostamos de ver o nosso trabalho reconhecido pelo público e perceber que fizemos parte de um produto de sucesso. Fiquei com pena da novela não ter obtido esse reconhecimento. Por outro lado, o meu personagem na parte final da novela começou a ter cenas ousadas e penso que não gostaria dessa exposição nas condições em que a novela estava a ser emitida. Poderia ser considerado despropositado ou chocante para um público que não seguia a novela, ao deparar-se com essas cenas, a fazer zapping, na madrugada… Ainda assim, teria sido uma óptima oportunidade para uma abertura de mentalidades!
Até hoje qual foi a personagem que mais gostou de interpretar? Porquê? Gosto sempre mais da que estou a fazer no momento. Porque depois o que fica são memórias de certos momentos, e como é que se comparam memórias? Se calhar todos gostamos mais das personagens que nos tragam maior feedback do público, dá-nos a sensação de ter acertado. Enquanto actor, gosto sempre mais de personagens que me confrontem e que tenham conflito. Mas julgo que não consigo separar a personagem do projecto em que se insere. Poderá ser uma personagem maravilhosa, mas se o projecto for mau, de que serve?
Transitou da “Vingança” directamente para “Resistirei”, sentiu que a SIC estava a apostar em si? Não. Nunca tive nenhum contacto com a SIC, propriamente dita. Senti que a Teresa Guilherme, directora e produtora de ambos os projectos, tinha gostado do meu trabalho. Nunca me deram nada de mão beijada, nunca tive garantido nenhum papel, sempre tive que passar pelos castings, convencer e mostrar que era capaz.
A “Vingança” foi a novela com mais acção feita até agora, gostou da sua personagem? Sim, claro que sim. O Fernando da Vingança foi o meu primeiro trabalho em televisão depois de ter terminado a licenciatura no “Conservatório” de Teatro. Encarei como uma oportunidade de testar as coisas novas que tinha aprendido e andava radiante.
A sua personagem era aliado de ‘Santiago’ na sua vingança contra os ‘Lacerda’, sentiu que com o decorrer da trama o “Fernando” foi ganhando mais destaque? Não sei. Nunca pensei nisso. A Vingança era uma adaptação de um original Argentino, por isso duvido que se pudesse alterar significativamente o percurso de um determinado personagem. Mas senti que ao longo da trama, o Fernando deixou de ser apenas um aliado do Santiago, para ter espaço para a sua história pessoal. Tinha família, casa, amores, trabalho, amigos… paralelamente ao enredo da própria vingança.
A ficção da SIC tem tendência para fracassar, isto provoca desanimo nos actores? Não posso falar pelos outros. Em mim não. Acho apenas estranho alguns produtos ficarem abaixo das audiências esperadas, tendo em conta a qualidade que lhes reconheço. Mas isso não pode ser discutido sem ter em conta as estratégias de marketing e publicidade de um canal, as estratégias de promoção e divulgação de um determinado produto, a concorrência existente e o próprio historial de ficção. A SIC já teve grandes sucessos de ficção: Jornalistas, Médico de Família, Vingança, Floribella…
Tem projectos para Televisão? Cinema? Teatro? Em teatro. Vou estrear em Maio um espectáculo no Teatro da Comuna, com encenação de João Mota. Helena Sergueievna é o título provisório do espectáculo.
Se voltar à TV será em que estação? Na que me oferecer uma personagem desafiante.
Quem foi o actor com quem até agora mais gostou de trabalhar? E Porquê? Foram muitos os actores com quem gostei de trabalhar e com quem tive a oportunidade de aprender. Não vou referir todos pois iria falhar muitos nomes. Mas o Nuno Melo, Ana Padrão e a Carla Chambel, foram actores que me marcaram muito neste último trabalho em televisão. Aprende-se muito só de os ver trabalhar.
Com quem gostaria de trabalhar? Actores? Uii..… não sei… gosto do trabalho de vários… Nicolau Breyner, Miguel Borges, Filipe Duarte, São José Correia, José Wallenstein, Luísa Cruz…. ficava aqui todo o dia….
Por último uma mensagem aos seus fãs e aos visitantes do Novelas Nacionais… Agradeço o apoio e interesse de todos os que acompanham o meu trabalho, espero que continuem por aí! Até breve!
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