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Começaste a tua carreira como actor nos Morangos com Açúcar, como correram as gravações das primeiras cenas? Muitos nervos, era um mundo completamente novo para mim. Tinha acabado de tirar um curso de teatro e vinha de um ensino de representação para palco e não para televisão.
Tiveste um ano no elenco, como avalias a tua estadia? Os melhores momentos, os piores. As amarguras que tiveste que enfrentar em determinados momentos, revela-nos como foi passado esse ano… Sem dúvida de que houve mais momentos bons do que maus. Mas é óbvio que os maus nos marcam sempre de outra forma. Foi um final de série complicado e triste pela perda de uma pessoa que era tão querida para nós como para o público. Como te preparaste para dar vida a Tomé, que depois se foi transformando em FF, dando destaque à veia musical que está dentro de ti? Para construir a personagem do Tomé baseei-me, acima de tudo, nas vivências e nos conflitos que atormentam um rapaz com 15 anos, que está a entrar na adolescência, a inserir-se numa nova escola e a descobrir as suas paixões. Quando o Tomé se transforma no FF é como se o Tomé de sempre continuasse a existir mas mais maduro e confiante. O adeus aos Morangos foi como o início de um novo ciclo, ou nada mudou depois de terminares as gravações da série? Depois dos Morangos continuei a dar concertos, a apostar no amadurecimento do projecto FF, a compor. Iniciei também uma nova experiência que se prolongou até agora: dar aulas de canto numa escola de música em Lisboa. No fundo o início do ciclo começou, não no final da série, mas sim no início desta. Uma coisa é certa, a música actualmente parece que está a ocupar mais o teu tempo que a representação. Se tivesses que escolher só uma áreas, com qual ficavas? É talvez a pergunta já me fizeram mais vezes… A resposta é sempre a mesma. Não se pode escolher entre dois filhos, entre duas paixões também não. Preenchem-me de maneiras diferentes e não conseguiria viver sem uma delas. Quem são para ti os grandes nomes da música em Portugal? Dentro das minhas preferências, e percorrendo várias gerações, gosto de Rui Veloso, Jorge Palma, Dulce Pontes, Adelaide Ferreira, Rita Guerra, Mariza, Ana Moura e mais uns quantos… E da representação? Rui de Carvalho, Diogo Infante, Marco d’Almeida, Maria do Céu Guerra. FF é o nome com que todos te conhecemos, mas quem é o verdadeiro Fernando Fernandes? Não existem diferenças. FF é o lado musical do Fernando Fernandes, só isso. Como lidaste com o reconhecimento do público e com a fama? Lido com a maior descontracção possível. Não me sinto diferente nem especial, por isso, continuo a ser o mesmo de sempre. Tenho uma enorme admiração por todos aqueles que fazem sacrifícios para estarem na primeira fila de um concerto, por exemplo, e isso dá-me a responsabilidade de não os desiludir. Já tiveste momentos desagradáveis com abordagens que te fizeram na rua? Conta algo que te conseguiu deixar irritado… Existe um pouco de tudo, sendo que as abordagens positivas superam qualquer outro tipo de reconhecimento. Até hoje não tive nenhuma experiência forte que me marcasse pelo lado negativo. Como as pessoas que já te conhecem há anos lideram com o teu aparecimento e reconhecimento público? Existiram muitos que se quiseram fazer passar por amigos sem o ser, muito certamente… Os verdadeiros amigos ficam sempre. Não gosto de conhecer alguém e pensar se essa pessoa está a falar comigo por eu ser conhecido ou não. Actualmente tens feitos algumas participações especiais em televisão, como foi o caso de Deixa-me Amar, mas será que te vamos poder ver brevemente numa produção com uma personagem que dure durante toda a trama? Eu gostava bastante. Jurei a mim próprio que 2008 seria um ano de regresso à representação e assim foi. Começou por uma participação na novela e tenho agora alguns projectos relacionados com teatro. Um papel que gostavas de fazer no pequeno ecrã? Acho que qualquer actor gosta de desafios, de personagens que sejam completamente diferentes de si. Talvez um vilão, uma personagem mais cómica… E o cinema fascina-te? Bastante. É uma área que ainda não conheço por dentro mas na qual gostaria de poder vir a trabalhar. Vamos à pergunta da praxe, como andas em termos de coração? Muito bem. Nos batimentos certos. |