|
Estreou-se em televisão na série juvenil da RTP, "Riscos" e hoje é dos actores mais requisitados tanto no pequeno ecrã, como fora dele, vamos conhecer um pouco mais o actor Alexadre Ferreira... Com que idade descobriu que era o caminho da representação que queria seguir? Lembra-se da primeira vez que subiu a um palco? Como estava, quem o acompanhou nesse momento? O que eu queria mesmo era ser astronauta. A sério, toda a gente pensa que eu estou a brincar quando digo isto, mas era mesmo o que eu queria. Tinha 8, 9 anos e depressa descobri que o programa espacial português, na altura, isto no início dos anos oitenta, estava um bocadinho sub-desenvolvido. Então pensei: vou ser realizador de cinema, à séria. E descobri também que, na altura, o programa do cinema português também estava um bocadinho sub-desenvolvido. Foi então que tive o meu primeiro momento em cima de um palco ( tirando uma fugaz subida a um presépio vivo como um dos pastorinhos que iam adorar o boneco nas palhas deitado ) na quarta classe, em que a professora nos pediu para contarmos uma história: a da sopa de pedra. Como ninguém queria fazer, eu voluntariei-me para ser o monge que vai de porta em porta. E lá fui eu, de porta em porta, na minha imaginação, a visitar os meus mundos interiores, e de repente dou-me conta que estava toda a gente a olhar para mim e a divertir-se. Como era possível? Eu, o gordo eléctrico ( porque era gorduchito e mexia-me muito ), o pirilampo mágico ( porque corava cá com uma facilidade... ) estar a ser o centro das atenções e estar aparentemente a divertir todos? Foi aí que eu pensei: Uau! Isto é fixe! Está decidido. É disto que eu quero fazer a minha vida. Nem pensei noutra coisa. Os meus pais bem me avisaram: tu vê lá, olha que essa vida não é fácil... Mas eu nunca quis fazer outra coisa desde esse dia. Decidi: quero ir para o Conservatório. E fui. Teatro, cinema ou televisão? Teatro por causa do sentido da festa, do evento, do acontecimento comungado pelos presentes no presente, televisão por causa da coragem necessária, do stress, da falta de tempo e contudo, do grau de auto-exigência de todos, técnicos e actores. As pessoas não sabem, mas muitas vezes fazem-se milagres. Cinema porque é o que fica, a maneira de cristalizar os actores, os pormenores da actuação, pelo grau de detalhe, minúcia, de refinamento, de experimentação, de exposição das almas e pelo intimismode exigido em todos os seus sectores. Do que eu gosto mesmo é de representar, ou como dizem os franceses e os ingleses, numa palavra que acho muito mais apropriada: jogar. Ir descobrindo as regras do jogo e jogá-lo. Quando aconteceu a sua primeira vez, no pequeno ecrã? A minha primeira vez, primeira vez foi no concurso Jaquitá com onze anos acho. Mas isso era um concurso infantil, adorei conhecer mais tarde o Changuito, filho da Maria do Céu guerra, porque ele era júri nesse concurso. As voltas que a vida dá... Mais tarde, quando andava no Conservatório, fiz uma figuração para uma novela, já não me lembro o nome. Mas a minha primeira participação que se possa chamar participação enquanto actor foi na agora clássica série Riscos. Era o drogado mais bronzeado da televisão portuguesa que tentava meter a sua namorada no Monsanto a ganhar dinheiro para os dois... Alexandre, o papel de Nuno na novela “Ninguém Como Tu” foi um dos que mais o destacou em televisão, como viu toda a euforia que envolveu aquele projecto que é por muitos considerado como uma viragem na ficção nacional? O Nuno... Heheheheh... O filho do morto... O Ninguém como tu foi uma telenovela muito bem servida a todos os níveis. Foi acho, o fechar de um capítulo e o início de um outro, em que passou a haver um maior cuidado com todos os pormenores. Como disse antes, as pessoas não sabem, mas às vezes fazem-se verdadeiros milagres. Para mim foi regressar ao nosso país, depois de ano e meio nos Estados Unidos a estudar com bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian no The Lee Strasberg Theatre and Film Institute, portanto, confesso que demorei tempo a aterrar, mas foi a melhor pista. Portugal está a entrar na competitividade pelos melhores nomes da ficção nacional, como encara esta luta entre os canais, e como vê as novas apostas pelas três estações principais no que é nacional? Adoro! Eu sabia que este dia iria chegar e espero que melhore. Sempre vi a concorrência como uma coisa muito saudável. E é uma vitória de todos que finalmente as pessoas queiram coisas portuguesas. Há uns anos atrás eu lembro-me que as pessoas quando ouviam português torciam o nariz, portanto... É como o Fernando pessoa dizia: primeiro estranha-se, depois entranha-se. E entranhou-se, o que é muito bom para todos nós, porquê finalmente começam a surgir os sinais de uma plena indústria em desenvolvimento e começa-se lentamente a sair de um certo feudalismo. Como diz o ditado, assim é que se vê quem tem unhas para tocar guitarra e só competindo com os melhores se consegue ser melhor. Ser protagonista de um futuro projecto de ficção é um desejo que espera concretizar nos próximos tempos, ou isso não é um assunto que o faça pensar? Concerteza! Quero trabalho e muito. E já agora se for bem pago ainda melhor. Neste momento está integrado no elenco adicional da novela “A Outra”, produto que tem sofrido várias alterações, como foi recebido na equipa que já estava montada? Fui muito bem recebido por todos. Aliás, a maior parte das pessoas já as conhecia de projectos anteriores ou por conhecimento pessoal: O meio é pequenino... Foi bom voltar a casa, de uma certa maneira, porque nada me foi estranho. Foi bom voltar a representar com o Nuno Homem de Sá, o meu pai no Ninguém como tu, aqui numa posição muito diferente, foi bom contracenar com a Margarida Vila Nova que considero uma excelente actriz, foi bom rever a Diana Chaves com quem trabalhei no teatro, foi bom finalmente trabalhar com a Isabel Medina, uma das minhas encenadoras favoritas, contracenar pela primeira vez com o Almeno, que já me aturou muitas vezes no teatro, finalmente trabalhar com tantos actores e técnicos de quem gosto tanto. Para além deste projecto, sei que está também no teatro neste momento, quer fazer publicidade? Pois, parece que no final deste mês vou começar a ensaiar um musical chamado FAME... Vai estrear em Outubro no Tivoli... Remember my name, Fame! I wanna live forever... Lembram-se da música? Vou ser o Senhor Myers, o professor de teatro da escola do Fame, o que é muito engraçado, porque eu lembro-me de ver a série quando era miúdo e de querer ir para o conservatório porque pensava que devia ser assim... E é, à nossa maneira, mas é. Depois, lá para Outubro, repôr o High School Musical, desta feita no fantástico Coliseu dos Recreios. E muito mais coisas que aí veem, coisas extraordinárias, tenho a certeza. Projectos, muitos projectos no ar... Para o futuro, onde o poderemos ver? Ora bem, tenho feito algumas participações em vários projectos... Lá para Setembro deve estrear a série Liberdade XXI, na RTP, lá mais para o Natal devo aparecer numa participação muito engraçada na novela Rebelde Way na SIC ( o meu primeiro travesti, com saltos altos e tudo... ), e dentro em breve podem ver-me num Caso da Vida, realizado pelo António Correia. E o que gostava de fazer e que ainda não fez? Ando a estudar e a escrever muito: teatro, cinema, televisão, poesia, contos, etc. Quero muito escrever, encenar, realizar, produzir teatro, televisão e cinema. O bichinho da realização ainda cá está. Gostava muito de dar o meu contributo a uma nova dramaturgia portuguesa com qualidade que sinto que está a emergir. Ando a aprender russo e vou este ano acabar a minha licenciatura em teatro e quem sabe, um dia, partilhar com quem quiser saber, aquilo que aprendo todos os dias. Tenho tantos sonhos e tão pouco tempo! Ah! Para além disso, um sonho muito secreto: desde os 13/ 14 anos que tenho vindo a gravar uma série de pedaços, ideias de músicas, canções... Um dia destes não tenho dúvida que irei fazer alguma coisa com todo esse material. Uma mensagem para o site Novelas Nacionais… Desejo-vos tudo de bom e agradeço-vos a oportunidade desta entrevista. Que continuem por muitos e bons anos. Ricardo Trindade Pode comentar esta entrevista exclusiva no nosso fórum em... http://novelasnacionais.com/forum/index.php/topic,262.40.html Se deseja acompanhar todo os trabalho e conhecer melhor o actor Alexandre Ferreira, então visite o seu blog:
www.alexandreferreira.blogspot.com
|